terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Volume 1. Texto 1 - A cartomante (Machado de Assis)

O objetivo é conhecer melhor as obras de Machado de Assis, os alunos de 9º ano irão ler um conto e realizar atividades referentes à obra.
A primeira atividade é um estudo do texto, com questões que o aluno deverá responder no blog.
A segunda atividade será realizada em sala de aula, durante as aulas de Literatura.

A cartomante
Machado de Assis


            Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.
            - Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo que eu lhe dissesse o que era. Apenas começou a botar as cartas, disse-me: “ A senhora gosta de uma pessoa...” Confessei que sim, e então ela continuou a botar as cartas, combinou-as, e no fim declarou-me que eu tinha medo de que você esquecesse, mas que não era verdade...
            - Errou! interrompeu Camilo, rindo.
            - Não diga isso, Camilo. Se você soubesse como eu tenho andado, por sua causa. Você sabe; já lhe disse. Não ria de mim, não ria...
            Camilo pegou-lhe nas mãos, e olhou para ela sério e fixo. Jurou que lhe queria muito, que os seus sustos pareciam de criança; em todo caso, quando tivesse algum receio, a melhor cartomante era ele mesmo. Depois, repreendeu-a; disse-lhe que era imprudente andar por essas casas. Vilela podia sabê-lo, e depois...
            - Qual saber! tive muita cautela, ao entrar na casa.
            - Onde é a casa?
            - Aqui perto, na Rua da Guarda Velha, não passava ninguém nessa ocasião. Descansa; eu não sou maluca.
            Camilo riu outra vez.
            - Tu crês deveras nessas cousas? perguntou-lhe.
            Foi então que ela, sem saber que traduzia Hamlet em vulgar, disse-lhe que havia muita cousa misteriosa e verdadeira neste mundo. Se ele não acreditava, paciência; mas o certo é que a cartomante adivinhara tudo. Que mais? A prova é que ela agora estava tranqüila e satisfeita.
            Cuido que ele ia falar, mas reprimiu-se. Não queria arrancar-lhe as ilusões. Também ele, em criança, e ainda depois, foi supersticioso, teve um arsenal inteiro de crendices, que a mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapareceram. No dia em que deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da religião, ele, como tivesse recebido da mãe ambos os ensinos, envolveu-os na mesma dúvida, e logo depois em uma só negação total. Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo, não possuía um só argumento; limitava-se a negar tudo. E digo mal, porque negar é afirmar, e ele não formulava a incredulidade; diante do mistério, contentou-se em levantar os ombros, e foi andando.
            Separaram-se contentes, ele ainda mais que ela. Rita estava certa de ser amada; Camilo, não só estava, mas via-a estremecer e arriscar-se por ele, correr às cartomantes, e, por mais que a repreendesse, não podia deixar de sentir-se lisonjeado. A casa do encontro era na antiga Rua dos Barbonos, onde morava uma comprovinciana de Rita. Esta desceu pela Rua das Mangueiras na direção de Botafogo, onde residia; Camilo desceu pela da Guarda Velha, olhando de passagem para a casa da cartomante.
            Vilela, Camilo e Rita, três nomes, uma aventura, e nenhuma explicação das origens. Vamos a ela. Os dois primeiros eram amigos de infância. Vilela seguiu a carreira de magistrado. Camilo preferiu não ser nada, até que a mãe lhe arranjou um emprego público. No princípio de 1869, voltou Vilela da província, onde casara com uma dama formosa e tonta; abandonou a magistratura e veio abrir banca de advogado. Camilo arranjou-lhe casa para os lados de Botafogo, e foi a bordo recebê-lo.
            - É o senhor? exclamou Rita, estendendo-lhe a mão. Não imagina como meu marido é seu amigo; falava sempre do senhor.
            Camilo e Vilela olharam-se com ternura. Eram amigos deveras. Depois, Camilo confessou de si para si que a mulher do Vilela não desmentia as cartas do marido. Realmente, era graciosa e viva nos gestos, olhos cálidos, boca fina e interrogativa. Era um pouco mais velha que ambos: contava trinta anos, Vilela vinte e nove e Camilo vinte e seis. Entretanto, o porte grave de Vilela fazia-o parecer mais velho que a mulher, enquanto Camilo era ingênuo na vida moral e prática. Faltava-lhe tanto a ação do tempo, como os óculos de cristal, que a natureza põe no berço de alguns para adiantar os anos. Nem experiência, nem intuição.
            Uniram-se os três. Convivência trouxe intimidade. Pouco depois morreu a mãe de Camilo, e nesse desastre, que o foi, os dois mostraram-se grandes amigos dele. Vilela cuidou do enterro, dos sufrágios e do inventário; Rita tratou especialmente do coração, e ninguém o faria melhor.
            Como daí chegaram ao amor, não o soube ele nunca. A verdade é que gostava de passar as horas ao lado dela; era a sua enfermeira moral, quase uma irmã, mas principalmente era mulher e bonita. Odor di femina: eis o que ele aspirava nela, e em volta dela, para incorporá-lo em si próprio. Liam os mesmos livros, iam juntos a teatros e passeios. Camilo ensinou-lhe as damas e o xadrez e jogavam às noites; - ela mal, - ele, para lhe ser agradável, pouco menos mal. Até aí as cousas. Agora a ação da pessoa, os olhos teimosos de Rita, que procuravam muita vez os dele, que os consultavam antes de o fazer ao marido, as mãos frias, as atitudes insólitas. Um dia, fazendo ele anos, recebeu de Vilela uma rica bengala de presente, e de Rita apenas um cartão com vulgar cumprimento a lápis, e foi então que ele pôde ler no próprio coração; não conseguia arrancar os olhos do bilhetinho. Palavras vulgares; mas há vulgaridades sublimes, ou, pelo menos, deleitosas. A velha caleça de praça, em que pela primeira vez passeaste com a mulher amada, fechadinhos ambos, vale o carro de Apolo. Assim é o homem, assim são as coisas que o cercam.
            Camilo quis sinceramente fugir, mas já não pôde. Rita, como uma serpente, foi-se acercando dele, envolveu-o todo, fez-lhe estalar os ossos num espasmo, e pingou-lhe o veneno na boca. Ele ficou atordoado e subjugado. Vexame, sustos, remorsos, desejos, tudo sentiu de mistura; mas a batalha foi curta e a vitória delirante. Adeus, escrúpulos! Não tardou que o sapato se acomodasse ao pé, e aí foram ambos, estrada fora, braços dados, pisando folgadamente por cima das ervas e pedregulhos, sem padecer nada mais que algumas saudades, quando estavam ausentes um do outro. A confiança e estima de Vilela continuavam a ser as mesmas.
            Um dia, porém, recebeu Camilo uma carta anônima, que lhe chamava de imoral e pérfido, e dizia que a aventura era sabida de todos. Camilo teve medo, e, para desviar as suspeitas, começou a rarear as visitas à casa de Vilela. Este notou-lhe as ausências. Camilo respondeu que o motivo era uma paixão frívola de rapaz. Candura gerou astúcia. As ausências prolongaram-se, e as visitas cessaram inteiramente. Pode ser que entrasse também nisso um pouco de amor-próprio, uma intenção de diminuir os obséquios do marido, para tornar menos dura a aleivosia do ato.
            Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu à cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vimos que a cartomante restituiu-lhe confiança, e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o que fez. Correram ainda algumas semanas. Camilo recebeu mais duas ou três cartas anônimas, tão apaixonadas, que não podiam ser advertência da virtude, mas despeito de algum pretendente; tal foi a opinião de Rita, que, por outras palavras mal compostas, formulou este pensamento: - a virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem papel; só o interesse é ativo e pródigo.
            Nem por isso Camilo ficou mais sossegado; temia que o anônimo fosse ter com Vilela, e a catástrofe viria então sem remédio. Rita concordou que era possível.
            - Bem, disse ela; eu levo os sobrescritos para comparar a letra com a das cartas que lá aparecerem; se alguma for igual, guardo-a e rasgo-a...
            Nenhuma apareceu; mas daí a algum tempo Vilela começou a mostrar-se sombrio, falando pouco, como desconfiado. Rita deu-se pressa em dizê-lo ao outro, e sobre isso deliberaram. A opinião dela é que Camila devia tornar à casa deles, tatear o marido, e pode ser até que lhe ouvisse a confidência de algum negócio particular. Camilo divergia; aparecer depois de tantos meses era confirmar a suspeita ou denúncia. Mais valia acautelaram-se, sacrificando-se por algumas semanas. Combinaram os meios de se corresponderem, em caso de necessidade, e separaram-se com lágrimas.
            No dia seguinte, estando na repartição, recebeu Camilo este bilhete de Vilela: “Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora”. Era mais de meio-dia. Camilo saiu logo; na rua, advertiu que teria sido mais natural chamá-lo ao escritório; por que em casa? Tudo indicava matéria especial, e a letra, fosse realidade ou ilusão afigurou-se trêmula. Ele combinou todas essas cousas com a notícia da véspera.
            - Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora, - repetia ele com os olhos no papel.
            Imaginariamente, viu a ponta da orelha de um drama, Rita subjugada e lacrimosa, Vilela indignado, pegando da pena e escrevendo-lhe o bilhete, certo de que ele acudiria, e esperando-o para matá-lo. Camilo estremeceu, tinha medo: depois sorriu amarelo, e em todo caso repugnava-lhe a idéia de recuar, e foi andando. De caminho, lembrou-se de ir a casa; podia achar algum recado de Rita, que lhe explicasse tudo. Não achou nada, nem ninguém. Voltou à rua, e a ideia de estarem descobertos parecia-lhe cada vez mais verossímil; era natural uma denúncia anônima, até da própria pessoa que o ameaçara antes; podia ser que Vilela conhecesse agora tudo. A mesma suspensão das suas visitas, sem motivo aparente, apenas com um pretexto fútil, viria confirmar o resto.
            Camilo ia andando inquieto e nervoso. Não relia o bilhete, mas as palavras estavam decoradas, diante dos olhos, fixas; ou então, - o que era ainda pior, - eram-lhe murmuradas ao ouvido, com a própria voz de Vilela. “Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora.” Ditas assim, pela voz do outro, tinha um tom de mistério e ameaça. Vem, já, já, para quê? Era perto de uma hora da tarde. A comoção crescia de minuto a minuto. Tanto imaginou o que se iria passar, que chegou a crê-lo e vê-lo. Positivamente, tinha medo. Entrou a cogitar em ir armado, considerando que, se nada houvesse, nada perdia, e a precaução era útil. Logo depois rejeitava a idéias, vexado de si mesmo, e seguia, picando o passo, na direção do Largo da Carioca, para entrar num tílburi. Chegou, entrou e mandou seguir a trote largo.
            “Quanto antes melhor”, pensou; “não posso estar assim...”
            Mas o mesmo trote do cavalo veio agravar-lhe a comoção. O tempo voava, e ele não tardaria a entestar com o perigo. Quase no fim da Rua da Guarda Velha, o tílburi teve de parar; a rua estava atravancada com uma carroça, que caíra. Camilo, em si mesmo, estimou o obstáculo, e esperou. No fim de cinco minutos, reparou que ao lado, à esquerda, ao pé do tílburi, ficava a casa da cartomante, a quem Rita consultara uma vez, e nunca ele desejou tanto crer na lição das cartas. Olhou, viu as janelas fechadas, quando todas as outras estavam abertas e pejadas de curiosos do incidente na rua. Dir-se-ia a morada do indiferente Destino.
            Camilo reclinou-se no tílburi, para anão ver nada. A agitação dele era grande, extraordinária, e do fundo das camadas morais emergiam alguns fantasmas de outro tempo, as velhas crenças, as superstições antigas. O cocheiro propôs-lhe voltar a primeira travessa, e ir por outro caminho; ele respondeu que não, que esperasse. E inclinava-se para fitar a casa... Depois fez um gesto incrédulo: era a idéia de ouvir a cartomante, que lhe passava ao longe, muito longe, com vastas asas cinzentas; desapareceu, reapareceu, e tornou a esvair-se no cérebro; mas daí a pouco moveu outra vez as asas, mais perto, fazendo uns giros concêntricos... Na rua, gritavam os homens, safando a carroça:
            - Anda! agora! empurra! vá! vá!
            Daí a pouco estaria removendo o obstáculo. Camilo fechava os olhos, pensava em outras cousas; mas a voz do marido sussurrava-lhe às orelhas as palavras da carta: “Vem, já, já...” E ele via as contorções do drama e tremia. A casa olhava para ele. As pernas queriam descer e entrar... Camilo achou-se diante de um longo véu opaco... pensou rapidamente no inexplicável de tantas cousas, a voz da mãe repetia-lhe uma porção de casos extraordinários, e a mesma frase do príncipe da Dinamarca reboava-lhe dentro: “Há mais cousas no céu e na terra do que sonha a filosofia...” Que perdia ele, se...?
            Deu por si na calçada, ao pé da porta; disse ao cocheiro que esperasse, e rápido enfiou pelo corredor, e subiu a escada. A luz era pouca, os degraus comidos dos pés, o corrimão pegajoso; mas ele não viu nem sentiu nada. Trepou e bateu. Não aparecendo ninguém, teve a idéia de descer; mas era tarde, a curiosidade fustigava-lhe o sangue, as fontes latejavam-lhe; ele tornou a bater uma, duas, três pancadas. Veio uma mulher; era a cartomante. Camilo disse que ia consultá-la, ela fê-lo entrar. Dali subiram ao sótão, por uma escada ainda pior que a primeira e mais escura. Em cima, havia uma salinha, mal alumiada por uma janela, que dava para o telhado dos fundos. Velhos trastes, paredes sombrias, um ar de pobreza, que antes aumentava do que destruía o prestígio.
            A cartomante fê-lo sentar diante da mesa, e sentou-se do lado oposto, com as costas para a janela, de maneira que a pouca luz de fora batia em cheio no rosto de Camilo. Abriu uma gaveta e tirou um baralho de cartas compridas e enxovalhadas. Enquanto as baralhava, rapidamente, olhava para ele, não de rosto, mas por baixo dos olhos. Era uma mulher de quarenta anos, italiana, morena e magra, com grandes olhos sonsos e agudos. Voltou três cartas sobre a mesa, e disse-lhe:
            - Vejamos primeiro o que é que o traz aqui. O senhor tem um grande susto...
            Camilo, maravilhado, fez um gesto afirmativo.
            - E quer saber, continuou ela, se lhe acontecerá alguma cousa ou não...
            - A mim e a ela, explicou vivamente ele.
            A cartomante não sorriu; disse-lhe só que esperasse. Rápido pegou outra vez das cartas e baralhou-as, com os longos dedos finos, de unhas descuradas; baralhou-as bem, transpôs os maços, uma, duas, três vezes; depois começou a estendê-las. Camilo tinha os olhos nela, curioso e ansioso.
            - As cartas dizem-me...
            Camilo inclinou-se para beber uma a uma as palavras. Então ela declarou-lhe que não tivesse medo de nada. Nada aconteceria nem a um nem a outro; ele, o terceiro, ignorava tudo. Não obstante, era indispensável muita cautela; ferviam invejas e despeitos. Falou-lhe do amor que o ligava, da beleza de Rita... Camilo estava deslumbrado. A cartomante acabou, recolheu as cartas e fechou-as na gaveta.
            - A senhora restituiu-me a paz de espírito, disse ele estendendo a mão por cima da mesa e apertando a da cartomante.
            Esta levantou-se, rindo.
            - Vá, disse ela; vá, ragazzo innamorato...
            E de pé, com o dedo indicador, tocou-lhe a testa. Camilo estremeceu, como se fosse a mão da própria sibila, e levantou-se também. A cartomante foi à cômoda, sobre a qual estava um prato com passas, tirou um cacho destas, começou a despencá-las e comê-las, mostrando duas fileiras de dentes que desmentiam as unhas. Nessa mesma ação comum, a mulher tinha um ar particular. Camilo, ansioso por sair, não sabia como pagasse; ignorava o preço.
            - Passas custam dinheiro, disse ele afinal, tirando a carteira. Quantas quer mandar buscar?
            - Pergunte ao seu coração, respondeu ela.
            Camilo tirou uma nota de dez mil-réis, deu-lhe uma. Os olhos da cartomante fuzilaram. O preço usual era dois mil-réis.
            - Vejo bem que o senhor gosta muito dela... E faz bem; ela gosta muito do senhor. Vá, vá tranqüilo. Olhe a escada, é escura; ponha o chapéu...
            A cartomante já tinha guardado a nota na algibeira, e descia com ele, falando, com um leve sotaque. Camilo despediu-se dela embaixo, e desceu a escada que levava à rua, enquanto a cartomante, alegre com a paga, tornava acima, cantarolando uma barcarola. Camilo achou o tílburi esperando; a rua estava livre. Entrou e seguiu a trote largo.
            Tudo lhe parecia agora melhor, as outras cousas traziam outro aspecto, o céu estava límpido e as caras joviais. Chegou a rir dos seus receios, que chamou pueris; recordou os termos da carta de Vilela e reconheceu que eram íntimos e familiares. Onde é que ele lhe descobrira a ameaça? Advertiu também que eram urgentes, e que fizera mal em demorar-se tanto; podia ser algum negócio grave e gravíssimo.
            - Vamos, vamos depressa, repetia ele ao cocheiro.
            E consigo, para explicar a demora ao amigo, engenhou qualquer cousa; parece que formou também o plano de aproveitar o incidente para tornar à antiga assiduidade... De volta com os planos, reboavam-lhe na alma as palavras da cartomante. Em verdade, ela adivinhara o objeto da consulta, o estado dele, a existência de um terceiro; por que não adivinharia o resto? O presente que se ignorava vale o futuro. Era assim, lentas e contínuas, que as velhas crenças do rapaz iam tornando ao de cima, e o mistério empolgava-o com as unhas de ferro. Às vezes queria rir, e ria de si mesmo, algo vexado; mas a mulher, as cartas, as palavras secas e afirmativas, a exortação: - Vá, vá, ragazzo innamorato; e no fim, ao longe, a barcarola da despedida, lenta e graciosa, tais eram os elementos recentes, que formavam, com os antigos, uma fé nova e vivaz.
            A verdade é que o coração ia alegre e impaciente, pensando nas horas felizes de outrora e nas que haviam de vir. Ao passar pela Glória, Camilo olhou para o mar, estendeu os olhos para fora, até onde a água e o céu dão um abraço infinito, e teve assim uma sensação do futuro, longo, longo, interminável.
            Daí a pouco chegou à casa de Vilela. Apeou-se, empurrou a porta de ferro do jardim e entrou. A casa estava silenciosa. Subiu os seis degraus de pedra, e mal teve tempo de bater, a porta abriu-se, e apareceu-lhe Vilela.
            - Desculpa, não pude vir mais cedo; que há?
            Vilela não lhe respondeu: tinhas as feições decompostas; fez-lhe sinal, e foram para uma saleta interior. Entrando, Camilo não pôde sufocar um grito de terror: - ao fundo, sobre o canapé, estava Rita morta e ensangüentada. Vilela pegou-a pela gola, e, com dois tiros de revólver, estirou-o morto no chão.

Assis, Machado. Contos. Série Bom Livro. 26ª ed. Editora Ática: 2002. p. 91-98.

Atividade 1

Conto: A cartomante – Machado de Assis

Depois de ler o conto, complete os elementos da narrativa:
1)    Personagens:

2)    Tempo:

3)   Tipo de narrador:

4)  Espaço

5)  Enredo

Em relação ao enredo, descreva:
4)    Situação inicial:

5)    Conflito:

6)    Clímax:

7)    Desfecho:

8)    Qual a diferença entre conto e crônica? Responderemos a essa questão em sala, mas fique a vontade para pesquisar.

9)    Será que Machado de Assis escreveu crônicas também?

10)  Quais os tipos de crônicas e cronistas conhecidos? Será que você é capaz de criar uma crônica?

Atividade 2
Transformar um conto, em sala de aula, em uma radionovela.
Pontos para trabalhar:
- Abertura da história.
- Os sons de fundo.
- Entonação dos personagens.
- O narrador.
- Os sons ambientes.
- As passagens de tempo.
- Cenário.


6 comentários:

  1. O Fssor! É pra postar as respostas aqui nos comentarios????

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  2. Alunas: Vitória, Bárbara, Isabela, Camila, Nicole, Nicoly e Sara.
    1) Rita, Camilo, Vilela, cartomante.
    2) Sexta-feira de Novembro de 1896.
    3) Narrador onisciente neutro.
    4) São Paulo.
    5) A história começa com uma conversa entre a Rita e o Camilo, dizendo que visitou uma cartomante por medo de perdê-la. Então o Camilopediu que ela parasse com as consultas porque era rediculo.
    Tudo começou quando a mãe do Camilo morreu. Foi prestar solidariedade á Camilo, ficando mais próxima dele á cada dia, até que ela seduziu Camilo, porém Rita já era casada com Vilela,que era amigo do mesmo desde criança. Dai Camilo recebe uma caixa que sabiam do seu segredo. Ele parou de visitar Vilela.
    Depois de meses, Vilela manda um bilhete para Camilo para ir visita-lo urgente, Camilo fica nervoso temendo que ele descobriu seu segredo, então ele vai a cartomante. Ela diz para ele não ter medo, e ele aliviado vai par a casa de Vilela. Chegou lá e viu Vilela com o rosto decomposto , e fez sinal para irem para o segundo andar, quando viu Rita morta e ensangüentada, Camilo gritou e em seguida Vilela atirou duas vezes nele.
    4) A mãe do Camilo morre e em decorrência disso ele acaba se aproximando de Rita.
    5) Camilo para de ir á casa de Vilela depois de ler a caixa que recebeu.
    6) Vilela, depois de meses, chama Camilo á ir a sua casa, e Camilo desconfiado vai a cartomante.
    7) Vilela mata Rita e Camilo com revólver.
    8) Crônica: visão pessoal dos fatos, personagens sem grandes descrições, padrão culto.
    Conto: Narrativa concentrada no essencial, poucos personagens, mas bem construídos, gira em torno de um único conflito, curto espaço de tempo e poucos fatos e lugares.
    9) Sim, eu já escrevi crônicas.
    10) Crônica de humor, crônica política, crônica narrativa, dissertativa, reflexiva.
    Carlos Drummond de Andrade, Fran Fessa, Sgnácio de Loyola Brandão, Mario Prata.

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  3. Alunos: Gustavo, Beatriz, Nathalia, Carolina, Jaison, Eduarda e Valentina.
    1) Rita, Vilela, Camilo e Cartomante.
    2) Sexta feita de Novembro de 1869.
    3) Narrador onisciente.
    4) Na cidade do Rio de Janeiro.
    5) Um homem que se apaixona pela mulher do melhor amigo e o sentimento dela é recípocro,
    4) O reencontro de Vilela e Camilo e a apresentação de Camilo e Rita.
    5) O romance que se torna "proibido" pois a mulher já é comprometida.
    6) Quando Camilo recebe o bilhete de Vilela pedindo para ir na casa dele.
    7) Rita e Camilo são assassinados por Vilela.
    8) Conto é uma narrativa curta, o tempo em que se passa é reduzido e contém poucos personagens que existem em função de um núcleo. Já a crônica conta fatos do dia a dia, relata o cotidiano da pessoa.
    9) Sim, ele escreveu, como Circulo Vicioso, No alto e Saudade.
    10) Crônica Lírica ou Poética, de Humor, Crônica-ensaio, Descritiva, Narrativa, Dissertativa, Reflexiva e Metafísica. Alguns cronistas conhecidos: Machado de Assis, Clarice Lispector, Lêdo Ivo, entre outros.

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  4. ALUNOS: Marina, Martha, Kazu, Lucas e Marco
    LIVRO: Petrus Logus, o guardião do tempo.
    RESPOSTAS:

    1) Vilela, Rita, Camilo, a esposa de vilela e a cartomante.

    2) Sexta-feira de Novembro de 1896.

    3) Onisciente Neutro

    4) O conto se passa em São Paulo, Rua da Guarda Velha.

    5) Começa quando Camilo e Rita são um casal que foram atrás de uma cartomante por causa das complicações que tinham constantemente.

    6) Camilo ganha um bilhete de Vilela que o preocupa, e por isso procurou a cartomante, para ajudar com o seu problema, que no fim, o acalmou.

    7) Camilo percebe que a previsão da cartomante estava errada, mas percebeu isso só depois de estar vendo a sua mulher morta por vilela em sua casa e depois ele é morto por um “maníaco” (Vilela)

    8) CRÔNICA: visão pessoal dos fatos e apresenta fundo crítico e humorístico;
    CONTOS: São narrativas que se concentram no essencial e elimina análises minuciosas.

    9) Eles escreveu, sim. Por exemplo: “A semana”, “Círculo Vicioso”, “No alto” ...

    10) Poética, de humor, crônica-ensaio, dissertativa, reflexiva, metafísica. Existem muitos cronistas conhecidos, como: Carlos Drummond de Andrade, Ivan Lessa, Ignácio de Loyola...

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  5. ALUNOS : Artur , Felipe, Christian, João Pedro Venassi
    Livro : Leo na Corda Bamba

    1 - Rita , Vilela, Camilo, a cartomante.

    2 - Sexta-Feira de Novembro de 1869.

    3 - Onisciente

    4 - Cidade de São Paulo

    5 - Uma casal que possuem uma atração, porém tem complicações para desenvolver, uma relação.

    4 - Vilela e Camilo se reencontram, Camilo e Rita se conhecem.

    5 - O romance entre Camilo e Rita se torna complicado pois Rita já está, comprometida.

    6 - Camilo é convidado, por Vilela , à sua casa, o que pode, ser considerado, como uma ameaça.

    7 - Camilo percebe que a cartomante errou, mas para isso precisa ver-se diante de Rita morta, mais tarde ele mesmo morrendo ambos pela mão de Vilela.

    8 - Crônica é uma espécie de conto envolvendo uma situação que vivenciamos no cotidiano.
    Conto é uma narrativa, que envolve um enredo, podendo ser de vários gêneros ( Aventura, romance , drama, suspense, entre outros ), geralmente composto por início, desenvolvimento e desfecho.

    9 - Sim, Machado de Assis também escreveu crônicas.

    10 - Poética, reflexiva, dissertativa, entre outras, Carlos Drummond De Andrade, Ivan Lessa, Clarisse Lispector, sim, somos capazes.

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  6. Alunos:Keynadaby,ianni,yasmin,lucia,héctor
    livro:Leo da corda bamba

    1-Rita,camilo,cartomante,vilela

    2-1869

    3-3ºpessoa

    4-não existe um lugar especifico mas como exemplo a casa da cartomante e de vilela são palcos muito parcipativos no conto.

    5-começa quando vilela junto á cartomante descobrem que seu amigo está tendo um caso com sua esposa.

    6-Camilo recebe uma carta de vilela para ir em sua casas acho que foi o climax porque a partir desse ponto demora para a desenrolar e ficamos ansiosos para saber o desfecho.

    7-Vilela mata sua mulher e chama camilo e o mata também

    8-Conto é uma narrativa curta,Cronica faz uma reflexão critica sobre assuntos do cotidiano

    9-Sim Cronicas-O futuro Cronicas-Dr da semana

    10-exemplos de cronistas Machado de assis, Carlos Drummond, Clarice Lispector estilos Comédia reflexão Metafisica

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